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Por
que o custo social do consumo de álcool é
maior do que o custo social do uso de todas as outras
drogas somadas; um custo social medido não apenas
pelos problemas apresentados por uma minoria que bebe
excessivamente, mas por problemas sofridos por toda
a população que bebe; a maior parte dos
motoristas que se acidentam por dirigirem embriagados
não são dependentes crônicos do
álcool ("alcoolistas"), mas sim pessoas
que consomem álcool de uma forma social e esporádica,
mas que têm pouca consciência das conseqüências
possíveis de dirigir sob efeito do álcool,
além de contarem com a certeza da impunidade.
Geralmente são jovens, com pouca experiência
de dirigir, e com um organismo mais vulnerável
aos efeitos do álcool.
Parte-se
do princípio de que o consumo do álcool
deve ser tratado como uma questão de saúde
pública. Estudos mostram que, quanto maior o
consumo de álcool em uma comunidade, maior o
número de problemas relacionados; o contrário
também é verdadeiro: se reduzirmos o consumo,
os problemas relacionados diminuirão na mesma
proporção. Portanto, o poder público
não deve se omitir; pelo contrário, políticas
que visem a reduzir o consumo são legitimas e
do interesse público.
Por
problemas relacionados ao consumo de álcool entende-se:
acidentes automobilísticos (no Brasil, 50% das
mortes no trânsito são causadas pelo álcool),
acidentes de trabalho, violência em geral como:
agressões, homicídios, (violência
escolar, doméstica, etc), morbidade e mortalidade
devidas ao consumo de álcool, etc. Estudos mostram
que, quanto maior a densidade de bares, maiores e mais
freqüentes os problemas; ou seja, é de se
esperar que nas regiões mais violentas de uma
cidade encontremos um maior número de bares -
ou encontrarmos índices maiores de violência
em regiões com maior concentração
de bares.
São
problemas que atingem a toda a população,
desfazendo o mito de que só os dependentes do
álcool ("alcoólatras", "alcoolistas")
têm problemas devido ao seu consumo. Portanto,
qualquer política destinada a reduzir problemas
causados pelo álcool deve contemplar a toda a
comunidade, e não apenas àquela minoria
que bebe excessivamente. Sabemos que a soma dos pequenos
problemas causados por uma maioria é mais importante,
do ponto de vista da saúde pública, do
que grandes problemas causados por uma minoria.
E
não podemos continuar omissos, vendo nossos jovens
perdendo a vida ou sendo mutilados irreversivelmente
devido a algo que pode ser evitado, se abordarmos a
questão com a seriedade que ela exige.
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